Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Bullying Não - recursos digitais

Bullying Não


Publicação digital realizada no âmbito do Projecto Bullying NÃO, da responsabilidade do Serviço de Documentação do Centro de Estudos, Documentação e Informação do Instituto de Apoio à Criança, que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.
O objetivo desta publicação foi tratar o tema da violência escolar entre pares sob a forma de bullying e cyberbullying.

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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

LIVRO DESAFECTOS AO ESTADO NOVO (3ª EDIÇÃO): APRESENTADO ESTA SEXTA-FEIRA NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE FAFE

A obra Desafectos ao Estado Novo – Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe, de Artur Ferreira Coimbra, na sua 3ª edição, revista e aumentada, vai ser apresentada ao público esta sexta-feira, 11 de maio, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Fafe.
Inicialmente publicada em 2003, por iniciativa da Junta de Freguesia de Fafe e com segunda edição no ano imediato, a obra Desafectos ao Estado Novo – Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe inclui nesta edição alguns acrescentos a nível de texto e de imagem, que a enriquecem relativamente às anteriores.
Para o autor, “não deixa de constituir uma enorme alegria, porquanto é o seu primeiro livro a atingir este patamar, fruto certamente da procura e da divulgação e expansão que tem tido ao longo dos últimos anos, não apenas em Fafe, mas um pouco pelo país, para onde foi sendo enviada pela autarquia. Honra-me de sobremaneira ter este livro referenciado na bibliografia de obras de ilustres investigadores do Portugal do século XX, como José Pacheco Pereira e Irene Flunser Pimentel”.
O objetivo fundamental da obra é relatar alguns episódios do que foi a resistência ao fascismo em Fafe, entre 1926 e 1974, em função das fontes documentais e dos testemunhos orais que foi possível reunir, num encontro promovido pelo autor com dezenas de antifascistas há duas décadas.
Com a devida contextualização como base no ambiente que se vivia a nível nacional e que foi recolhido na consulta de obras de referência historiográfica, foram passados em revista, cronologicamente e com a maior objetividade possível, o que foram esses anos, a partir das primeiras manifestações da resistência à Ditadura Militar, em fevereiro de 1927, em que participaram militares fafenses, como o Major Miguel Ferreira, António Saldanha e o Tenente José Campos de Carvalho, até às últimas eleições do regime fascista, realizadas em 1969, sob a vigência de Marcelo Caetano.
Nos anos 30, destacam-se as primeiras levas de presos políticos em Fafe, sobretudo a partir de 1936, avultando ainda o combate político do jornalista José Manuel Teixeira e Castro para prosseguir o seu trabalho contra a censura e em defesa dos seus jornais.
Já na década seguinte, aborda-se a problemática do MUDJuvenil em Fafe, fala-se da famosa luta pelo pão, do encerramento político do Externato de Fafe na Rua Montenegro (1948), após duas décadas de funcionamento e das manifestações de apoio à candidatura do General Norton de Matos à presidência da República (1949). Lugar ainda para a evocação de uma experiência deveras interessante que foi a de uma biblioteca clandestina e de uma cooperativa de pedreiros nos finais dos anos 40.
Nos anos 50, avulta o assassínio pela PIDE do fafense Joaquim Lemos Oliveira, “Repas”, a vítima maior do regime deposto em 25 de Abril. Fala-se ainda da grande homenagem distrital ao Major Miguel Ferreira, das eleições presidenciais de 1958, em que participou o General Humberto Delgado e, finalmente, do documento cujo primeiro subscritor era o Major Miguel Ferreira e que afrontava diretamente Salazar, desafiando-o o demitir-se.
Nos anos 60/70, já no declínio do regime, avultam a guerra colonial, a emigração e as eleições de 1969.
Esta obra tem ainda lugar para a evocação do lápis azul da censura e os seus reflexos no jornal local O Desforço, bem como para a recordação de diversos rostos que foram tecendo a longa e corajosa teia da resistência ao fascismo em Fafe.
Uma palavra ainda para os míticos espaços onde a oposição mais se exerceu, como a Fábrica do Ferro, o Café Avenida, o Teatro-Cinema e a casa do Major Miguel Ferreira, em Antime.
Finalmente, alguns textos sobre a resistência e a emergência do 25 de Abril, no país, como em Fafe.
A obra inclui ainda testemunhos, depoimentos e artigos do Professor Emídio Guerreiro, Francisco Oliveira Alves, António Teixeira e Castro, Parcídio Summavielle, Domingos Gonçalves, Paula Nogueira e João Baptista Alves da Mota.
A obra é desde o início a homenagem do autor, como assumido “filho de Abril”, àqueles fafenses de outrora que sacrificaram as suas vidas, os seus bens, a sua família, os seus trabalhos, a sua liberdade, ao serviço do bem comum, de um país melhor e mais respirável e que culminaria, no dia 25 de Abril de 1974, com a restauração da liberdade e da democracia em Portugal!

Terça-feira, 8 de Maio de 2012

Os livros, esses animais sem pernas...


Os livros, esses animais sem pernas, mas com olhar, observam-nos mansos desde as prateleiras. Nós esquecemo-nos deles, habituamo-nos ao seu silêncio, mas eles não se esquecem de nós, não fazem uma pausa mínima na sua vigia, sentinelas até daquilo que não se vê. Desde as estantes ou pousados sem ordem sobre a mesa, os livros conseguem distinguir o que somos sem qualquer expressão porque eles sabem, eles existem sobretudo nesse nível transparente, nessa dimensão sussurrada. Os livros sabem mais do que nós mas, sem defesa, estão à nossa mercê. Podemos atirá-los à parede, podemos atirá-los ao ar, folhas a restolhar, ar, ar, e vê-los cair, duros e sérios, no chão.
Quando me pediram para entrar numa sala, entrei. Não contava surpreender-me. Estávamos numa biblioteca pública e eu era capaz de imaginar com antecedência o que me queriam mostrar. A senhora que caminhava dois passos à minha frente era dona de uma voz branda, feita de boa fazenda, e dizia que se tratava da oferta de um senhor que tinha morrido. O filho tinha cumprido a vontade do pai e tinha acordado as condições com a biblioteca: quase nenhumas. A sala não era uma sala, era uma sucessão de salas. Cada uma delas estava completamente ocupada por estantes cheias. Com a mesma voz de antes, a senhora explicava-me que os livros tinham vindo nas próprias estantes onde estavam. Uma empresa de mudanças tinha-se ocupado desse serviço durante dia e meio, sem parar, meia dúzia de homens.
Eu já vi muitos livros e não contava surpreender-me mas, depois, prestei mais atenção. Enquanto ouvia a descrição do cenário em que encontraram os livros - uma casa cheia de livros, todas as paredes cheias, do chão ao tecto, prateleiras com duas fileiras de livros, pilhas de livros - foquei o meu olhar nas lombadas, nos títulos. A forma como estavam ordenados, lembrou-me a caligrafia da minha avó, uma caligrafia septuagenária, agarrada a uma perfeição talvez desnecessária, a um esforço de manter a correcção mesmo depois de estar quase tudo perdido, como se essa correcção pudesse salvar. Tratava-se de uma organização que previa a dimensão estética - o tamanho das edições, as colecções, as cores das capas - mas, também, uma vertente literária - géneros, história da literatura - e alfabética - B depois do A. Por vincos ínfimos, dava para perceber que eram livros lidos. Mas tão bem tratados, tão minuciosamente acarinhados. Ao mesmo tempo, entre prateleiras, entre salas, fui percebendo quais eram os autores que, criteriosamente, não estavam representados e quais os que tinham toda a sua obra naquelas estantes; fui percebendo quais os períodos e os temas que interessavam à pessoa que juntou todos aqueles milhares de livros.
É uma vida, repetia a senhora, é uma vida inteira. E contou que aqueles livros estavam agora à espera de serem catalogados e, a pouco e pouco, arrumados junto dos outros. Foi nesse momento que consegui distinguir com clareza o quanto estavam assustados. Olhavam para todos os lados, não conheciam o futuro que os esperava. Afinal, o eterno podia mudar com tanta facilidade, bastava um sopro. Foi nesse momento que consegui distinguir as suas vozes fininhas, a cruzarem-se no ar daquelas salas, cheiro a livros e a medo. Vestidos com roupas novas, roupas nobres e tão despreparados para as exigências de uma realidade feita de mãos e transtornos, feita de pressa real.
Muito tempo depois de sair de lá, a quilómetros de distância, voltei a pensar naqueles livros. Aquela selecção privada iria diluir-se nas prateleiras da biblioteca. O fim de uma ilusão costuma causar-me melancolia. Foi o caso. Muito provavelmente, na memória daqueles livros, o tempo que passaram nessa casa antiga, protegida, iria diluir-se também. Daqui a anos, depois de mundo e cicatrizes, ao encontrarem-se por acaso poderão nem sequer reconhecer-se. Poderão ser como aquelas pessoas que se reencontram e que não sabem se devem cumprimentar-se ou não e que, ao não fazê-lo, é como se tivessem deixado de conhecer-se.
Os livros, esses animais opacos por fora, essas donzelas. Os livros caem do céu, fazem grandes linhas rectas e, ao atingir o chão, explodem em silêncio. Tudo neles é absoluto, até as contradições em que tropeçam. E estão lá, aqui, a olhar-nos de todos os lados, a hipnotizar-nos por telepatia. Devemos-lhes tanto, até a loucura, até os pesadelos, até a esperança em todas as suas formas.

José Luís Peixoto, in Jornal de Letras (Maio, 2011)


João Ricardo Pedro recebe hoje prémio Leya



O escritor João Ricardo Pedro recebe hoje o Prémio Leya, que ganhou com o seu primeiro romance intitulado 'O teu rosto será o último'.
Em 2009, quando ficou desempregado, o engenheiro electrotécnico João Ricardo Pedro decidiu cumprir um sonho que tinha há muito tempo: "No dia seguinte, fechei-me em casa e comecei a escrever um livro." Passou assim dois anos. Completamente concentrado na escrita.
Depois, entregou o livro na Leya, para concorrer ao prémio que a editora atribui anualmente, e voltou à sua vida.
Casado e com dois filhos, para sobreviver dá explicações de matemática.
O livro está à venda desde março.
O autor recebe o prémio de 100 mil euros, o mais valioso para a literatura em português, às 18.30, no Palácio Galveias, em Lisboa.
A cerimónia de entrega do Prémio Leya, que será presidida pelo Primeiro Ministro, Dr.º Passos Coelho, contará ainda com as presenças de Manuel Alegre, presidente do juri do Prémio Leya, de Miguel Pais do Amaral e Isaías Gomes Teixeira, Chairman e CEO da LeYa, respectivamente.


Fonte: DN Artes

Terça-feira, 24 de Abril de 2012

Filmes que deveriam ser mostrados nas escolas

Aniki Bobó, de Manoel de Oliveira (DR)
Portugal vai ter um Plano Nacional do Cinema.
Que filmes deverão fazer parte?
Dez personalidades aceitaram sugerir ao PÚBLICO um top ten de filmes e realizadores do cinema nacional e mundial.







"Os Verdes Anos", um filme de 1963 realizado por Paulo Rocha, o documentário Belarmino, que Fernando Lopes fez no ano seguinte, tendo-se tornado ambos bandeiras do Cinema Novo, e também "Recordações da Casa Amarela" (1989), de João César Monteiro, estão no topo da lista do cinema português que deve ser mostrado nas escolas, segundo a opinião de dez personalidades da cultura convidadas pelo PÚBLICO a escolher os dez filmes nacionais, e outros tantos do cinema mundial, que devem vir a integrar o Plano Nacional do Cinema (PNC).

No ranking do cinema estrangeiro, os dois filmes que colheram mais nomeações foram o clássico do neo-realismo italiano "Ladrões de Bicicletas" (1948), de Vittorio De Sica, e a comédia que o francês Jacques Tati realizou uma década depois, "O Meu Tio" (1958), na qual satiriza a vida moderna e urbana.

A criação de um PNC foi anunciada no início de Março pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, apontando para a sua entrada em vigor no ano lectivo 2013/14. O objectivo de fazer entrar a arte e a história do cinema nos currículos escolares é também referido, de passagem, no projecto da nova Lei do Cinema, que a SEC tem actualmente em consulta pública.

Quando Viegas prometeu o novo PNC, numa visita a uma escola de Trás-os-Montes, associou-o ao modelo do já existente Plano Nacional de Leitura. E acrescentou que ele terá por base um catálogo de cem filmes, que, além da componente educativa - "os estudantes devem perceber que o cinema não começou há cinco anos, começou há cem", disse Viegas, segundo o relato da Lusa -, servirá igualmente para formar novos espectadores.

O gabinete de comunicação da SEC explicitou depois ao PÚBLICO que o PNC irá resultar de um trabalho conjunto dos responsáveis da Cultura com o Ministério de Educação, a que se associará a Cinemateca Portuguesa, pois será do seu arquivo que sairão os filmes a disponibilizar às escolas. "O objectivo é criar uma filmoteca digital, com uma maioria de filmes portugueses, que seja acessível às escolas", disse João Villalobos, assessor de Viegas, explicando que os filmes a seleccionar deverão ter conteúdos que "correspondam aos programas lectivos e pedagógicos do ensino básico e secundário, entre o 7.º e o 12.º ano".

Foi com base nesta carta de intenções que o PÚBLICO desafiou uma dezena de figuras a propor o catálogo de filmes que consideram dever entrar nas salas de aula - algo que os professores já fazem hoje em dia, mas por iniciativa individual e de forma mais ou menos casuística. Das personalidades contactadas, aceitaram responder o ensaísta Eduardo Lourenço, o poeta e comissário do Plano Nacional de Leitura Fernando Pinto do Amaral, a actriz, realizadora e deputada independente pelo PS Inês de Medeiros, o director do Museu de Serralves, João Fernandes, os realizadores João Salaviza e Jorge Silva Melo, o escritor Manuel António Pina, o arquitecto Nuno Portas, o crítico e ex-director da Cinemateca Pedro Mexia e a professora de Literatura Rosa Maria Martelo.

Houve várias pessoas que não quiseram responder, por razões diversas. Entre elas, a escritora e ex-ministra da Educação Isabel Alçada, que, contudo, deixou alguns alertas relativamente ao projecto. "Um plano não pode ser só uma lista, para além de que esta é sempre reducionista", disse a ex-governante da equipa de José Sócrates. E reclamou "condições para que os professores possam escolher" os filmes a mostrar, além de referir que o catálogo deve ser organizado por "especialistas que conheçam os programas pedagógicos e educativos". ...


Fonte: Público


Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Fundação José Saramago lança revista literária digital


A Fundação José Saramago, que abrirá ao público nos próximos meses em Lisboa, criou uma revista literária digital, intitulada 'Lucerna', que estará disponível a partir de segunda-feira, Dia Mundial do Livro.
Fonte da fundação explicou à agência Lusa que o primeiro número será dedicado à "atual situação do livro", política e mercado livreiro.
Terá ainda um dossier sobre 'Claraboia', o romance que José Saramago escreveu na juventude, com textos de Pilar del Río, presidente da fundação, do poeta e ensaista Fernando Gómez Aguilera e do escritor Hector Abad Faciolince.
'Lucerna', que estará disponível no site oficial da fundação, dará ainda destaque mensalmente à literatura para a infância e juventude e à promoção da leitura, debruçando-se no número de estreia sobre a temática do compromisso e sobre o Tamer Institute, organismo de promoção de leitura na Palestina.
A publicação literária terá, a partir do segundo número, edição bilingue em português e castelhano, com tradução assegurada pela Cátedra José Saramago de Tradução da Universidade de Barcelona, em Espanha.
Além de poder ser descarregada na Internet, 'Lucerna' estará disponível para telemóveis e tablets.



Fonte: DN ARTES