quinta-feira, 27 de março de 2014

CONTO DE AGUSTINA BESSA-LUÍS PUBLICADO NA PRÓXIMA SEMANA



O conto inédito de Agustina Bessa-Luís "Colar de Flores Bravias", escrito em 1947, é publicado na próxima semana, com ilustrações de Mónica Baldaque, filha da escritora.
Em comunicado, a editora Labirinto de Letras, que chancela a obra, cita o marido da autora, Alberto Luís, "constante companhia na sua escrita", segundo o qual este conto surgiu "muitos anos depois de a autora abandonar a ficção luxuriante das suas primeiras criações romanescas, para nos relatar episódios do seu contacto com o mundo exterior".
O conto, segundo a mesma fonte, "narra a aventura de passeios improvisados, em férias escolares de setembro e na companhia duma prima convidada, através duma quinta próxima das ruínas romanas da Cividade, ao norte de Bagunte", em Vila do Conde.
A obra inclui um texto analítico do catedrático de literatura da Universidade de Coimbra José Carlos Seabra Pereira.
"Colar de Flores Bravias" é apresentado pelo catedrático Salvato Trigo, na próxima segunda-feira, às 21:30, na Fundação Engenheiro António de Almeida, no Porto, e, no dia 03 de abril, às 18:30, em Lisboa, no Centro Nacional de Cultura, pelo seu presidente Guilherme d'Oliveira Martins.
Desde fevereiro do ano passado, tem-se vindo a publicar diferentes materiais inéditos da autora de "A Sibila", que se retirou da vida pública depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral, após a edição de "A Ronda da Noite", em finais de 2006.
Em fevereiro do ano passado foi publicado "Kafkiana", um conjunto de quatro ensaios sobre Franz Kafka, ao qual se seguiu o conto "Cividade", e, em outubro passado, "Caderno de Significados", que Mónica Baldaque, coordenadora da edição, disse à Lusa incluir "contos inesperados, perfeitamente fora da estrutura de escrita habitual de Bessa-Luís", nomeadamente um, intitulado "Os dois amigos", redigido "em forma de cantilena".
O primeiro livro de Agustina Bessa-Luís, "Mundo Fechado", foi publicado em 1948. Desde então a escritora publicou ficção, ensaios, teatro, crónicas, memórias, biografias e livros para crianças. Várias obras suas foram adaptadas ao cinema por realizadores como Manoel de Oliveira ("Fanny Owen", "Vale Abraão") e João Botelho ("A corte do Norte").
O romance "A Sibilia" valeu-lhe os prémios Delfim Guimarães, em 1953, e Eça de Queiroz, em 1954, os primeiros de uma lista de vários galardões, entre os quais o de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1983, pela obra "Os meninos de ouro", prémio que voltou a receber em 2001, com "Joia de família".
A escritora foi distinguida pela totalidade da sua obra com, entre outros, os Prémios Camões e Vergílio Ferreira, ambos em 2004, e o Prémio de Literatura do Festival Grinzane Cinema, em 2005.
"O comum dos mortais", "A quinta essência", a trilogia "O princípio da incerteza", "Antes do degelo", "Doidos e amantes" contam-se entre a sua obra.


DN ARTES